Cuidado com o Crédito de Longo Prazo

Neste momento de pandemia, vemos as empresas realizando uma verdadeira corrida para os Bancos, o que faz total sentido se considerarmos a celebre frase: ‘Cash is King”.

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Mas um ponto muito importante não está sendo abordado neste tema, faz sentido para uma empresa formar caixa e se comprometer com uma operação de Longo Prazo, 3 ou 4 anos, sendo que a pandemia tende a ser solucionada num prazo menor do que isso?  (Torcemos para ter uma solução até o final do ano).

Sem querer entrar no mérito se são práticas corretas ou não, gostaria de adicionar outras variáveis a essa discussão que também devem ser levadas em consideração: 1) com tamanha aversão a risco, os Banco estão aumentando os spreads cobrados e exigindo mais garantias para liberar linhas de crédito; 2) infelizmente vemos alguns players se aproveitarem deste excesso de demanda por crédito para incluir tarifas como TAC e fee de estruturação, 3) necessidade de contratar outros serviços bancários, nem sempre fundamentais, para poder ter suas linhas aprovadas e 4) por mais que seja possível pré pagar essa operação contratada muitos contratos possuem a cláusula de vencimento antecipado onde o devedor se compromete a pagar pela utilização do capital por todo o período do contratado no momento do desembolso. Vale reforçar que o motivo de existir espaço para os atos elencados acima é único e exclusivamente relacionado ao principal “vilão” que as empresas estão enfrentando: aversão ao risco de crédito.

Não quero ser ingênuo e nem romantizar o problema, se eu estivesse na cadeira dos micros e pequenos empresários brasileiros e me visse na necessidade de tomar empréstimos com custo alto, necessidade de garantias, pagamento de tarifas diversas e aquisição de novos produtos, eu também tomaria.

O instinto de sobrevivência sempre irá prevalecer.

Jogando luz para uma nova maneira de analisar a contratação de crédito, quero estimular uma tomada de decisão mais estruturada e otimista com algumas sugestões.

Cash is King mas o crédito não precisa ser de 4 anos, o cenário de estresse torna os credores míopes pois este é o único caminho que possui alguma visibilidade no longo prazo. Busque operações que resolvam a sua necessidade de caixa, mas que não se transformem em um problema quando a questão da pandemia se normalizar.

Converse com seus clientes e fornecedores, o crédito mercantil dentro da cadeia de produção é mais barato e alinhado pois ninguém quer perder seu canal de fornecimento e compras. 

Em muitos casos, a posição de investimento do sócio na pessoa física pode ser utilizada como garantia para uma tomada de crédito na pessoa jurídica. Esse tipo de operação irá evitar discussões societárias e tributárias referente a um aumento de capital na empresa, e pode ser o caminho para um crédito rápido com custo interessante.

De todo modo, o instinto de sobrevivência sempre irá prevalecer.

Na XP queremos ajudar os nossos clientes pessoas físicas e jurídicas, fale com o seu assessor que iremos trabalhar em conjunto para buscar uma solução. “